Pesquisar este blog

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

RÉU

Noite passada, murchei em flor. Só meus braços vazios acolheram meus ais. Eu quis lábios e abraços de graça. Aquele anjo disfarçado de gente que vi, bem que poderia ter-me salvado da encruzilhada de medos. Deseje-o como a uma miragem. Projetei seu rosto e sentimentos. Teria me livrado da ânsia da espera costumaz. Espera voluntária em minha vida. Eu sofro a dor de ter sido e ser, ser  quem se é, e ter sido o que o coração quer. Cheguei num planeta confuso. Aqui lágrimas são invisíveis e semblantes tristes significam na verdade euforia. Mas não a euforia do meu mundo e sim um desaforo desesperado. Eu me entupi de mim pra  não me trair. Segurei nas mãos do falso anjo que inventei. Deixei-o velar meu sono. Mas no deserto de sonhos bons, a realidade te assusta. Meu anjo virou poeira, deixando a brisa noturna levá-lo. O sol então sorriu, mergulhei a face em águas antigas de mim. Elas contam minha história na linguagem dos olhares.

Nenhum comentário: