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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O DESVIO


Ai que saudade dos amores que nunca amei.


Daqueles amores que não devolvi o olhar.


Ensaio na mente o desenrolar


De um encontro ou um final feliz banal...


Numa frase de efeito perfeita, utópica, irreal...


Para o que já passou que não tem volta, que não vivi


Morreu prematura, enterrada a sete palmos


Antes de sair pela boca e a língua desenhar em sons


As palavras que se foram e murcharam


Como tristes flores de outono sem botões.

MEU VERBO É SENTIR



Sinto  porque a fala me falta.

Sinto porque a dor me maltrata.

Sinto porque o instante se esgota.

Sinto por que deixei aberta a porta.

Sinto  e sou ilusionista de mim mesma.

Sinto como se a voz estivesse presa.

Sinto que estou num quarto escuro.

Sinto como se estivesse em cima do muro.

Sinto a tristeza se esvair.

Sinto que o amor está bem ali.

Sinto que a felicidade logo vem.

Sinto que a paixão me convém.

Sinto e sei de cor seu final.

Sinto por que sei que o bem vence o mal.


Invisível Presença


Você não existe.
O bom, foi descobrir tua triste inexistência a tempo.
Há tempo de salvar-me da Grande Desilusão.
Sobra-me tempo agora para não pensar em ti.
 Em como você é, na sua branca perfeição, que estremeceria todos os cantos e recantos de mim... No interior sombrio da face escondida dos meus sentimentos.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

INFLUXO


Uma incógnita



Um eclipse cor de vermelho



A interrogação que semeia o caos



A febre apressada



A ideia fixa e sufocada.



Um sangue novo



Percorrendo insano,



As veias.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A Isca Pescou O Pescador

"Ela o olhou. E viu nele, potencial para ser a isca quase perfeita pra salvá-la de si mesma. Ele cegou quando vislumbrou as luzes dela. E topou. Sem saber que seria, o remédio a base de água, contra uma enfermidade terminal. Mas a vida prega peças e embaralha quebra-cabeças alheios. Ele não sarou-a. Nem de longe foi capaz de preencher-lhe o vazio doente. Mas fez-lhe companhia e deu a ela outras razões pra viver."

A menina e a lua

A menina, que nunca tinha amado, sentia o coração em curto circuito e o peito faiscando pôs-se a olhar a lua. Quem passava e via-a - com os olhos arregalados - não entendia a inusitada cena. Eram como pequenos fogos de artifício que saiam de dentro dela. Ela observava a lua pela primeira vez, e era por ela, olhada de volta. Mas alguém percebeu o que de fato acontecia e disse a outro alguém-passante:" É a paixão que a entorpeceu, a lua é o sol noturno dos apaixonados. "

domingo, 11 de setembro de 2011

FOTOGRAFIA


Traduzir-se num verso

Falar do tempo.

Do vento leve que acarinha.



Sorrir sozinho

Lembrando do próprio rosto,

Quando num instante

Sob o pacto secreto existente entre nós,

Teu olhar gentil me embaraça.

Me paralisa.

Ofusca as luzes do mundo

Ao redor de nós, e eu o capturo.



Como uma câmera com vida própria,

Independente,

Irresistivelmente convocada a admirar.

Amando em silêncio teus olhos,

Teu rosto, teu corpo.

Meus desejos.

Nosso segredo.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

GOTEIRA


Eu sangrava pingo por pingo

Gota por gota

Num equilíbrio perigoso

Eu sangrava pra viver

Me habituei a um

Cíclico fluxo insano

Afogador e vampiresco...

Era só o que eu deixava

Brotar de mim - Dor.



ESTRADA



Percorro a intensa estrada do fim.
Estrada do início.
Estrada mãe do sopro

Escondido é meu estreito caminho
É imagem cega
Em minhas vistas

Dois globos esfumaçados,
Vivos,
Sôfregos.

Vagam pela claridade
Do meio dia,
Mais ainda no encanto das noites

Esmaecidos no cansaço
Sonham no escuro
Depois da viciante
Estratégia diária
Do vigilante faminto

Speak To Me



/Eu me contorço inteira pra alcançar tua resposta.

Sinais mudos que tento decifrar.

Verbos não claros que derramam reticências por onde passam.

Me arrasto catando-os como cacos de cristais quebrados pelo chão.../




Desprezado#



*Jardim secreto
Dos meus sonhos esquecidos
Verso lindo
Que ninguém mais quer ouvir
Estrela cadente
Sem pedidos
Som de melodia
Que nada faz sentir.*

Desenlouquecer-se


Pouco a pouco reuni o pó sobre o coração. E com pensamentos higiênicos, soprei a favor da brisa, cada partícula insana. Vascularizadamente ligada a mim. Possessivas, questionavam-me com “porquês” atrás da verdade sequestrada pela tal consciência já semi-falida. Essa tantas vezes, sufocada pela sede instintiva por um amanhecer mais azul ou um anoitecer mais doce. Meus mais belos dias de esquizofrenia acenavam-me um adeus saltitante. Zombavam da seriedade em minha face. Contei minhas lágrimas aos seus pés. Eu te disse: “são só pedacinhos de vidro.” Como é exaustivo enlouquecer! Apertei os cintos, e me guiei numa marcha fria e resoluta. Fechei os olhos para não sonhar acordada. Era preciso. Mesmo assim, àquelas horas contigo, ainda me subornam dias inteiros.

DESEJO-TE


Desejo que o seu próximo amor seja como num filme romântico.
Que não seja nem maior, nem menor que o nosso amor.
Seja apenas diferente...
Com um final feliz.
Desejo que o seu amor dure por pelo menos uma vida inteira.
E que nesse tempo você nunca o conheça completamente.
 Pois, o mistério é um dos segredos do amor.
Desejo que a vida lhe seja grata, mas, que você nunca espere demais dela.
Existirão sempre frustrações.
Desejo que este amor lhe renda frutos e que eles te devolvam alegria.
Pois, filhos é nossa própria herança pra vida.
E por fim, depois de desejares a ti as melhores coisas...
Asseguro-te que mais tarde dias tranqüilos virão.
A calmaria se fará presente no caminho que terá de traçar sozinho... Até o próximo reinício.







PARA JR

DEPOIS DAS SEIS


                                                                                          
Não era noite
Mas escuridão havia
Era cru
Eu via a tudo a olho nu
Mas não, não queria.



Não sabia que tinha morrido,
Um bem amado tão querido
E por Deus enriquecido
De bondade tão sadia



Sensível à vida soube
A muitos cativar
Não queria plantar dor
Somente colher Amor
E este fruto espalhar



Minha saudade não se desfez,
E a repetir a companhia
Chega sempre depois das seis
No entardecer de mais um dia.





PARA  MIRTES & RUI

CULPADA?

Eu nunca quis estar aqui. Eu nunca soube nem como chegar aqui. Nesse caminho torto que eu segui. Eu me perdi do verdadeiro sentido de vida. Eu parti para o rumo errado. Andei pelo caminho comum, pra chegar ao lugar comum. E me instalar, no mesmo lugar. Parti sem saber onde iria chegar. Eu nem sabia como aqui era. Eu só não queria estar. Talvez um dia eu soubesse do verdadeiro destino, e ele não era feito de cores frias como este que encontrei. Mas um colorido vibrante de cores vivas! Foi sempre um mistério. Eu cuspindo o que havia dentro de mim com ajuda de uma caneta em mãos. Fiz isso pra encontrar sentidos. O sentido exato. O meu sentido certo. Essas vielas clandestinas me confundem, só sei que devo andar. Porque caminhar é viver. E não posso parar a vida. Elas me perseguem com seus olhos questionadores. Trazendo-me exaustão, me tragando o “sopro”. “Eu caí de algum lugar”, me convenço. “Sou culpada de algo. Só não sei ainda  o que é.” Então lembro-me de que, eu nunca quis aqui estar.

Coração


Calma coração apertado,

Você vai se afrouxar.

E os espinhos que te ferem,

Você vai retirar.


Calma coração apertado,

Não tenha pressa.

Vou te acudir.

Basta ser um pouco paciente 

E saber aonde ir.


Insista coração,

Não desista assim tão fácil.

Entenda e surpreenda,

Nosso tempo é nosso espaço.


Fique firme meu coração,

Afinal, sangrar purifica.

Tenha fé em si mesmo,

Só permanece quem acredita.


Sonhe coração,

É toda tua a liberdade.

Espanta coração,

Toda tristeza que te invade.


Reclama meu coração,

Os teus direitos são somente teus.

E aceite de uma vez,

Os teus desejos serão os meus.

Contatos*


...Esses olhares de quem são? Aquele encontro, como aconteceu? foi um tremendo susto, eu sei. Tanto pra você quanto pra mim. Porque teve de começar assim?...Encontro-aborto, morreu antes de nascer. Você ta me tirando o sono, o pensamento, o tempo, até mesmo a sanidade. Não. Isso não é aquele desvario doentio que contamina e não ouso dizer o nome. São só suspeitas. Olhares de esguio. Passos vacilantes. Proximidade-imã. Dois pensamentos que suspeitam e sabem do outro. Conhecidências. Somente, conhecidências. Eu poderia saber sobre tudo, mas só me interessa uma coisa........ quem é ...VOCÊ?

Lugar Doce


Eu te guardarei num lugarzinho doce.
Como uma caixa de bombons,
Dentro de mim.

E pra chegar até você,
Atravessarei uma pequena ponte
Que me levará
Da censurada razão minha
Até o insensato  coração que possuo

E nessas vagarosas visitas até você
Eu sentirei na boca o gosto bom
Que um antigo amor tem.


Para Jr

Caminho



Desejando tudo
Esperando o nada

Vivendo tudo
Esquecendo nada

Apaixonando em tudo
Amando nada

Relembrando mudo
Palavras pesadas

Machucando fundo
Sem intenção de nada

Sonhando no escuro
Com figurinhas premiadas

Conhecendo o mundo
Aprendendo a estrada

Breu



 Na maioria das vezes sinto-me como
 O Poeta com cegueira.
Somente tateando palavras sem realmente tocá-las,
 Para então servi-las num prato para o bom proveito de quem lê.

AREIAS...

Ao som de uma leve música, o meu espírito aumenta de peso e passa a se arrastar dentro de mim, puxando meu corpo, preso a ele. Na falha tentativa de flutuar... Afundando meu corpo físico em alguma areia movediça pelo caminho. Letárgica, sobrevivo num quase sono com um tanto de imobilidade e fraqueza, presa numa de lama grudenta e mórbida.

RÉU

Noite passada, murchei em flor. Só meus braços vazios acolheram meus ais. Eu quis lábios e abraços de graça. Aquele anjo disfarçado de gente que vi, bem que poderia ter-me salvado da encruzilhada de medos. Deseje-o como a uma miragem. Projetei seu rosto e sentimentos. Teria me livrado da ânsia da espera costumaz. Espera voluntária em minha vida. Eu sofro a dor de ter sido e ser, ser  quem se é, e ter sido o que o coração quer. Cheguei num planeta confuso. Aqui lágrimas são invisíveis e semblantes tristes significam na verdade euforia. Mas não a euforia do meu mundo e sim um desaforo desesperado. Eu me entupi de mim pra  não me trair. Segurei nas mãos do falso anjo que inventei. Deixei-o velar meu sono. Mas no deserto de sonhos bons, a realidade te assusta. Meu anjo virou poeira, deixando a brisa noturna levá-lo. O sol então sorriu, mergulhei a face em águas antigas de mim. Elas contam minha história na linguagem dos olhares.

AQUELE RIO


Cansei  de ser forte quando fraco sou!
Estou farto e isso me basta.
Engano meu!
Fico louca por desistir.
Desistir, é ato não realizado de mim.
Acostumada a isto vivo...
E ser de ferro é meu dever!
Dois lados da moeda existem.
E num deles hei de estar!
No mais triste e sujo lado resido.
Num caminho sem companhia...
Ando a pé sem carona
Sola gasta, contando pedrinhas beira-estrada.
Ouço um rio dizer que está perto.
Sigo sem pensar, é pra lá que vou!
Dores passageiras...
Chagas contínuas em mim
Canto canções sem fim...
Desgosto em paz e relevo.
O cheiro do Amor é breve.
Ele engana os sentidos meus...
De volta a estrada sei que estou!

AMNÉSIA


Eu preciso me esquecer
Não  lembrar de mim
Por uns tempos.
Esconder-me,
Pra não me perseguir
Como aquele cachorro
Confuso e vadio,
Que corre atrás do próprio rabo
Tentando abocanhar a si mesmo.
Por não enxergar o óbvio.

AMIGO APRESSADO



Esse tempo que passa por mim.
Quase correndo.
Com toda pressa.
Frustra-me quando o vejo chegar de longe.
Seus passos pesados são audíveis.
Dou-me conta que a mim ele não pertence.
Nunca o tive.
Nunca foi meu.
Ele nem me conhecia quando passou por mim.
Agora vejo nossa falta de intimidade.
E eu que pensei que fôssemos amigos.
Estava enganada.
Subentendi o que quis.
Pois, nada foi prometido a mim.