Aqui é mais um lar das letras como tantos outros...Mesmo assim é meu lugar prefiro no mundo. Aqui é a alma que fala.
Pesquisar este blog
domingo, 2 de outubro de 2011
SONHOS NO VARAL
Pendurei meus sonhos no varal.
Eles quase não cabiam no varal inteiro.
Eram muito grandes.
Pendurei-os lá, pois, eram sonhos molhados precisando de vento forte e brisa leve para secar.
Pendurei os sonhos todos.
Cada um por si.
Sonho por sonho.
Agora eram sonhos que descansavam, porque muito pesavam.
Eram sonhos fartos. Antigos. De amor. De alegria.
Autênticos sonhos eles eram.
Durante toda uma vida. Em cada inverno e verão seu.
Ou dentro do sorriso dela.
Ou na confiança dos olhos dele.
Eu colhia esses sonhos e pendurava.
Nada mais eu fazia além de produzir meus sonhos e colher sonhos alheios.
Depois pendurar tudo.
Naquele dia. Um dia qualquer.
Enquanto eu trabalhava sob o sol da vida, percebi meus velhos e saudosos sonhos.
Observei que deles ainda pingava água.
Na verdade, sonhos encharcados jaziam inertes no varal-cemitério que criei no quintal do coração.
Nesse momento lembrei-me do sol e da neblina.
Porque enquanto de dia o sol secava a água pueril que escorria dos meus sonhos, a neblina noturna que morava na noite, voltava a devolver-lhes a mesma água.
Não espere que seus sonhos se tornem adultos ou amadureçam ou sequem no varal de sua vida.
Não os deixe mofar encharcados, retire-os sempre.
Use com paixão seus sonhos.
IZABEL ANDRADE
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário