Ao fim dos barulhos, o silêncio me avisou que eu poderia me reerguer. Fugi do escuro. Levantei-me dos escombros. Sacudi a poeira. Deixei que a destruição falasse por mim, melhor maneira não havia; falávamos a mesma língua. Cumpriu sua parte, traduziu-me por completo. Esperei que todas as palavras do mundo viessem, seriam todas necessárias pra explicar tudo que faltava em mim naquele instante. Era maior do que "um grande vazio", buracos de ozônio seriam simples cratéras comparados. O peito pesava toneladas e a vontade chorosa me arranhava a garganta, mas não adiantava gritar. Eu não mais possuía este veículo. Eu não sabia mais o que era "falar". Qualquer linguagem falada seria inútil se meu chão já não existisse. Eu era um navio sem âncora, sem porto. Minhas janelas para a alma não tinham vida, tudo era lentidão. Minhas mãos e pés dormentes. Dor em excesso entorpece.
Izabel Andrade
Aqui é mais um lar das letras como tantos outros...Mesmo assim é meu lugar prefiro no mundo. Aqui é a alma que fala.
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terça-feira, 16 de novembro de 2010
Porteiras Internas
Queria fazer uma canção, talvez seja uma saída para por pra fora algo que esperneia pra sair de mim a qualquer custo. As palavras são minhas melhores amigas, elas me deixam falar tudo. E de tudo. Elas me ouvem e ouvir é mais importante que sugerir. Sem censura eu descrevo a cara da minha dor e abro as porteiras do meu interior.
Izabel Andrade
Izabel Andrade
Prova
"E nesse momento encontro-me comigo, e o acontece foi o que sempre soube.Não surpreendo-me. Supostamente minha intuição perseguidora irá tragar a minha alma vaporizada. Saciada por vazios. Alimentada por incertezas. Mergulhei num pranto que era só meu e o que em mim estava de pé, agora ruía com o estrondoso som do meu choro mastigado. Sobrou para mim migalhas repartidas do meu coração, somente o prazer momentâneo acalentava a vontade inconsolável de provar o gosto do profundo."
Izabel Andrade
Izabel Andrade
Bosque
Pra ir direto viver num pesadelo
Percorri sozinho por um bosque no escuro
Nem a lua teve pena de mim
(Por eu estar cansado de amar a ti)
Manhã se fez e o sol sorriu em algum lugar
Mas não em mim
(Só por eu estar cansado de amar a ti)
Na luz o dia mostrava como o mundo
Pode ser belo
E as flores que encantavam o caminho
Desabrochavam como o seu rosto
Depois de um beijo de amor
Mas ele não era tão belo assim pra mim
Somente...
(Por eu estar cansado de amar a ti)
O céu azul virou fumaça
E o cinza era a cor dos meus pensamentos
Andei no inverno e meus pés provaram do gelo
Neve alva que dominava meu coração
No cansaço de amar a ti
Eu era todo frio
E do meu ar um vento gelado saía
Cortando o que tinha por dentro
Resfriando a minha chama interna
Foi quando cansado, muito cansado
Refiz meu caminho
De volta para casa eu fui
Quando em casa cheguei
Meu bem, logo te vi
O corpo todo tremeu
E o coração num descompasso fulminante
Arrebatou-me para o mais sublime
Êxtase em viver
Eu, que cansado estava
Vivi a adolescência novamente
Meu corpo febril festejava a própria vida
Porque eu sempre
Estive cansado do meu ser solitário
Exausto de não ter você
Meu coração...
Junto a mim.
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