Izabel Andrade
Aqui é mais um lar das letras como tantos outros...Mesmo assim é meu lugar prefiro no mundo. Aqui é a alma que fala.
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sábado, 26 de novembro de 2011
Pensamentos#
Corei meus olhos quando te olhei naquele dia. Ganhei na loteria mesmo sem ter jogado. Atingi aquele alvo tão sonhado. Até mesmo sem te ver, como quis te ganhar. Meus poros inalaram tua energia atraente demais. Eu te respirei. Me enxerguei em ti assim que te avistei. As noites nunca foram tão claras, meus sonhos nunca foram tão sólidos. Eu pisava em nuvens e a maciez delas, assustava-me. Foi você a invasão bem-vinda. Meus sinais de fogo cegaram tuas janelas carnais. E eu que sempre rondava uma presença invisível, me abasteci de amores ao te ouvir.
Pensamentos#
Tem dias em que cada agulha dói uma dor diferente. Assim como a farpa que faz chorar o dedo. Assim como a faca que faz rasgar a carne. Palavras envenadas atingem desgovergadas a porta dos sentimentos e plantam satisfeitas, suas filhas aleijadas. Tem dias que o mais duro cubo de gelo esmaece fácil como chuva fina assassina de pensamentos sonoros com gosto de ferro queimado na boca. Tem dias...*
Pensamentos#
Uma cortina de chuvisco inclinava-se secretamente sobre minhas vistas machucadas por uma poeira antiga, ensangüêntando de desejo imediato meu pulante músculo do peito. Trovejei espinhos, arranquei promessas ainda ardentes...Mas de repente tomar banho de chuva foi minha salvação! Toca ritmicamente, em minha pele latejante, tua alegria desperta! É, aconteceu. Foi tão fácil te amar...
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Pensamentos#
E o coração cambaleando, bêbado, segue seu destino. Passos incertos, destino torto, a vil pedra no caminho. O álcool, alimento líqüido dos desolados, espalha-se com folga no fundo falso de uma mente ofuscada pelo luz ressonante do amor. A paixão agora ministra um peito em desuso, cheio de um antigo mofo. Limpando a retina sentimental. O melhor da vida é sublime entrega ao permitir-se planar cego e armado somente com as asas da loucura amorosa.
A Chegada da Primavera
Vi de longe um vulto passar por mim, toquei suas raízes longas demais, ao alcance dos meus dedos. Fui saboreando risadas, palavras soltas, encanto colorido. O preto e branco finalmente derretiam na frente dos meus olhos enquanto minhas pálpebras assustavam-se de repente e a todo momento. Nosso gentil encontro. Apenas nos reconhecendo. Já nos conhecíamos. Certamente. “De outros carnavais com outras fantasias”. Como o caminho que os riachos fazem na qual a água que flui, desliza sorrateira. Então dei-me conta do que via: seria aquele antigo mundo-sonho? A utopia viva? A felicidade encarnada?...A interrogada questão ainda rasteja persistente sobre o chão vermelho da minha casa.
Perdi o Que Nunca Ganhei
Eu perdi teus cabelos de fios agitados, tão vermelhos quanto o calor desértico em que sucumbi.
Eu perdi tuas algemas confortáveis.
Feitas sob medida pra mim.
Perdi tua pele clara, pura alma de uma artista que jamais vi.
Eu perdi teus olhos mornos, me sequestravam pra uma vida.
Uma vida longe daqui.
Foi tão raro. Um desses instântes caros, que não se pode resistir.
Tuas luzes brilhando longe, como uma estrela que me sorri.
Os becos escuros até você são convites atrasados, caminhos em círculos. Não compreendi.
Me diz um jeito, uma fórmula. Uma poção mágica ou qualquer coisa assim, pra que eu possa retornar ao sonho e acordar dessa realidade estranha em que te perdi.
domingo, 2 de outubro de 2011
SONHOS NO VARAL
Pendurei meus sonhos no varal.
Eles quase não cabiam no varal inteiro.
Eram muito grandes.
Pendurei-os lá, pois, eram sonhos molhados precisando de vento forte e brisa leve para secar.
Pendurei os sonhos todos.
Cada um por si.
Sonho por sonho.
Agora eram sonhos que descansavam, porque muito pesavam.
Eram sonhos fartos. Antigos. De amor. De alegria.
Autênticos sonhos eles eram.
Durante toda uma vida. Em cada inverno e verão seu.
Ou dentro do sorriso dela.
Ou na confiança dos olhos dele.
Eu colhia esses sonhos e pendurava.
Nada mais eu fazia além de produzir meus sonhos e colher sonhos alheios.
Depois pendurar tudo.
Naquele dia. Um dia qualquer.
Enquanto eu trabalhava sob o sol da vida, percebi meus velhos e saudosos sonhos.
Observei que deles ainda pingava água.
Na verdade, sonhos encharcados jaziam inertes no varal-cemitério que criei no quintal do coração.
Nesse momento lembrei-me do sol e da neblina.
Porque enquanto de dia o sol secava a água pueril que escorria dos meus sonhos, a neblina noturna que morava na noite, voltava a devolver-lhes a mesma água.
Não espere que seus sonhos se tornem adultos ou amadureçam ou sequem no varal de sua vida.
Não os deixe mofar encharcados, retire-os sempre.
Use com paixão seus sonhos.
IZABEL ANDRADE
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
O DESVIO
Ai que saudade dos amores que nunca amei.
Daqueles amores que não devolvi o olhar.
Ensaio na mente o desenrolar
De um encontro ou um final feliz banal...
Numa frase de efeito perfeita, utópica, irreal...
Para o que já passou que não tem volta, que não vivi
Morreu prematura, enterrada a sete palmos
Antes de sair pela boca e a língua desenhar em sons
As palavras que se foram e murcharam
Como tristes flores de outono sem botões.
MEU VERBO É SENTIR
Sinto porque a fala me falta.
Sinto porque a dor me maltrata.
Sinto porque o instante se esgota.
Sinto por que deixei aberta a porta.
Sinto e sou ilusionista de mim mesma.
Sinto como se a voz estivesse presa.
Sinto que estou num quarto escuro.
Sinto como se estivesse em cima do muro.
Sinto a tristeza se esvair.
Sinto que o amor está bem ali.
Sinto que a felicidade logo vem.
Sinto que a paixão me convém.
Sinto e sei de cor seu final.
Sinto por que sei que o bem vence o mal.
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