Ao fim dos barulhos, o silêncio me avisou que eu poderia me reerguer. Fugi do escuro. Levantei-me dos escombros. Sacudi a poeira. Deixei que a destruição falasse por mim, melhor maneira não havia; falávamos a mesma língua. Cumpriu sua parte, traduziu-me por completo. Esperei que todas as palavras do mundo viessem, seriam todas necessárias pra explicar tudo que faltava em mim naquele instante. Era maior do que "um grande vazio", buracos de ozônio seriam simples cratéras comparados. O peito pesava toneladas e a vontade chorosa me arranhava a garganta, mas não adiantava gritar. Eu não mais possuía este veículo. Eu não sabia mais o que era "falar". Qualquer linguagem falada seria inútil se meu chão já não existisse. Eu era um navio sem âncora, sem porto. Minhas janelas para a alma não tinham vida, tudo era lentidão. Minhas mãos e pés dormentes. Dor em excesso entorpece.
Izabel Andrade
2 comentários:
VC SABE COMO ESCOLHER UM TEXTO,
NAO SEI COMO SURGIU PARA QUE EDITASSE,SE FOI INSPIRAÇAO, SE POR TER LIDO EM ALGUM LUGAR.
MAS O QUE DESEJO FALAR, EH:
TE ADMIRO PELOS SEUS INTERESSES.
tudo que escrevo aqui vem de mim ...obrigada.
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