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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Invisível Presença


Você não existe.
O bom, foi descobrir tua triste inexistência a tempo.
Há tempo de salvar-me da Grande Desilusão.
Sobra-me tempo agora para não pensar em ti.
 Em como você é, na sua branca perfeição, que estremeceria todos os cantos e recantos de mim... No interior sombrio da face escondida dos meus sentimentos.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

INFLUXO


Uma incógnita



Um eclipse cor de vermelho



A interrogação que semeia o caos



A febre apressada



A ideia fixa e sufocada.



Um sangue novo



Percorrendo insano,



As veias.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A Isca Pescou O Pescador

"Ela o olhou. E viu nele, potencial para ser a isca quase perfeita pra salvá-la de si mesma. Ele cegou quando vislumbrou as luzes dela. E topou. Sem saber que seria, o remédio a base de água, contra uma enfermidade terminal. Mas a vida prega peças e embaralha quebra-cabeças alheios. Ele não sarou-a. Nem de longe foi capaz de preencher-lhe o vazio doente. Mas fez-lhe companhia e deu a ela outras razões pra viver."

A menina e a lua

A menina, que nunca tinha amado, sentia o coração em curto circuito e o peito faiscando pôs-se a olhar a lua. Quem passava e via-a - com os olhos arregalados - não entendia a inusitada cena. Eram como pequenos fogos de artifício que saiam de dentro dela. Ela observava a lua pela primeira vez, e era por ela, olhada de volta. Mas alguém percebeu o que de fato acontecia e disse a outro alguém-passante:" É a paixão que a entorpeceu, a lua é o sol noturno dos apaixonados. "

domingo, 11 de setembro de 2011

FOTOGRAFIA


Traduzir-se num verso

Falar do tempo.

Do vento leve que acarinha.



Sorrir sozinho

Lembrando do próprio rosto,

Quando num instante

Sob o pacto secreto existente entre nós,

Teu olhar gentil me embaraça.

Me paralisa.

Ofusca as luzes do mundo

Ao redor de nós, e eu o capturo.



Como uma câmera com vida própria,

Independente,

Irresistivelmente convocada a admirar.

Amando em silêncio teus olhos,

Teu rosto, teu corpo.

Meus desejos.

Nosso segredo.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

GOTEIRA


Eu sangrava pingo por pingo

Gota por gota

Num equilíbrio perigoso

Eu sangrava pra viver

Me habituei a um

Cíclico fluxo insano

Afogador e vampiresco...

Era só o que eu deixava

Brotar de mim - Dor.



ESTRADA



Percorro a intensa estrada do fim.
Estrada do início.
Estrada mãe do sopro

Escondido é meu estreito caminho
É imagem cega
Em minhas vistas

Dois globos esfumaçados,
Vivos,
Sôfregos.

Vagam pela claridade
Do meio dia,
Mais ainda no encanto das noites

Esmaecidos no cansaço
Sonham no escuro
Depois da viciante
Estratégia diária
Do vigilante faminto

Speak To Me



/Eu me contorço inteira pra alcançar tua resposta.

Sinais mudos que tento decifrar.

Verbos não claros que derramam reticências por onde passam.

Me arrasto catando-os como cacos de cristais quebrados pelo chão.../




Desprezado#



*Jardim secreto
Dos meus sonhos esquecidos
Verso lindo
Que ninguém mais quer ouvir
Estrela cadente
Sem pedidos
Som de melodia
Que nada faz sentir.*

Desenlouquecer-se


Pouco a pouco reuni o pó sobre o coração. E com pensamentos higiênicos, soprei a favor da brisa, cada partícula insana. Vascularizadamente ligada a mim. Possessivas, questionavam-me com “porquês” atrás da verdade sequestrada pela tal consciência já semi-falida. Essa tantas vezes, sufocada pela sede instintiva por um amanhecer mais azul ou um anoitecer mais doce. Meus mais belos dias de esquizofrenia acenavam-me um adeus saltitante. Zombavam da seriedade em minha face. Contei minhas lágrimas aos seus pés. Eu te disse: “são só pedacinhos de vidro.” Como é exaustivo enlouquecer! Apertei os cintos, e me guiei numa marcha fria e resoluta. Fechei os olhos para não sonhar acordada. Era preciso. Mesmo assim, àquelas horas contigo, ainda me subornam dias inteiros.